segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Tosse poética

Faz noite e faz frio
Faz-se o vento feroz.
Fazem silêncios no vazio
Desfaz-se o mundo de nós.

Gritam-se universos na chuva
e nos gritos chove o nada;
Caem folhas mortas da lua,
Estações sós, erros de fada.

Somos o sentido do saltério,
a sombra breve dos enfados.
Porque são memória, mistério,
os nossos desejos, abraçados.


E ficamos, perdidos assim,
liquefeitos, urnas sentidas;
Memórias misturadas em mim
e, silêncio, ficaram unidas.

Então acordo, partido e só.
Ouço o vento forte ou unido;
Mais nada, só sombra, pó;
Estive morto e fez sentido.


18.10.10

Fotografia de Miguel Maciel

Um comentário:

  1. brutal! que venha uma e outra tosse, que venha um espirro e uma febre, que venha uma constipaçao poetica que te leve e decomponha em centenas de versos, de estrofes, para que o vento traga cada vez mais posts, para que eu possa ver-te "morrer e fazer sentido".

    estás cada vez melhor, és o meu orgulho :)

    ResponderExcluir