O tempo incontável. Os milénios inscritos em segundos. O tempo de passar a margem do consciente para o obscuro da escuridão reluzente dos sonhos. A ponte para a beleza espinhosa do sono. Subconsciente. Inconsistente da atitude de querer dormir. Treme a mente, o transe apodera-se. Domina o caos durante milionésimas de segundo. Lembro-me vagamente da hora em que adormeci. Olho o escuro ao fundo do túnel. Penetro nele. Involuntário sou atraído para ele. Inconsciente. Vejo imagens soltas do meu cérebro. Sinapses perdidas. Vejo episódios esquecidos. Vulgaridades quotidianas. Escolho uma.
Algo acontece. Sou conduzido por um espírito desconhecido. Algo acontece sem que me aperceba. Mexo-me nos lençóis por instantes. Não sinto nada cá fora. Estou preso por mim mesmo. Quero sair de mim, mas fora o relaxamento aprisiona-me. Os meus olhos internos arregalam-se indignados, como que paralisados sem saber o que fazer. Resigno-me a ver isto. O pesadelo toma conta de mim. A minha respiração acelera-se e eu durmo profundo no destino negro que me leva a noite. Vou morrendo em pedaços pequenos de vida. Lâmpadas, estalidos e folhas secas. Um intervalo único entre imagens de um caminho. As árvores ao lado a engolir a noite onde me asfixio nos mantos. Fedo num hálito enjoativo e num contorno de sujidade falsiforme. Passaram já horas desde que adormeci. Lá fora a luz entra nas frinchas da janela e evapora-me um liquido qualquer, uma nojice nas pestanas. É incomodativa a interferência do sol na noite onde ainda existo. Sufoco. Agora a água pressiona-me a traqueia. Inevitabilidade da morte. E contorço-me, esmago-me nos lençóis, rilho os dentes. Um suor sublinha-me o corpo…e acordo.
Afinal são três horas da manhã.
Fábio in...can't remember
ayah .. mto bom fabio ;)
ResponderExcluirbem vou seguir-te atentamente ;)
gostei =p
bj EnovI